Desde pequena, desenho roupas. 

Essa era minha brincadeira favorita. 

Imaginava um mundo de roupas possíveis.

Imaginava um mundo de telas possíveis. 

 

COSTURAR É UM ATO POLITICO.

 

A segunda índústria que mais polui no mundo é a da moda. 

Ela, também é uma das que mais escraviza pessoas.

A industria da moda manipula para o consumo.

 

Por isso eu faço roupas. 

Cada uma. 

Todas diferentes umas das outras. 
Por isso eu tenho uma marca de roupas.
Para poder desmistificar esse sistema.
Para fazer diferente. 

 

Por esse motivo fui convidada a falar algumas vezes.

Todas diferentes umas das outras.

Todas com o mesmo motivo:

 

COSTURAR É UM ATO POLITICO.

 

E se vestir também é. 

Dizer para o mundo (tão mais quadrado que redondo) quem é você.

Saber, quando olha no espelho, quem é você.

 

Isso é diferente do que querem. 

Querem que você consuma. 

Tudo.

O tempo todo.

Quando acaba um desejo, aparece outro.

Insatisfeitos.

Incansaveis.

Em busca do prazer momentâneo do que se compra. 

E não do que se é. 

 

COSTURAR É UM ATO POLITICO.

 

Por isso, não tenha medo.

Nunca seremos iguais as outras pessoas. 

Então, o que é que te torna diferente?

O que te faz questionar o capitalismo?

O que te faz deslocar do senso comum?

 

O que te torna consciente?

 

Se não estivermos conscientes, acabou. 

Esse planeta, ja vive a destruição.

Sem coletividade para reconstruir o agora, será impossível o futuro.

 

Se não pararmos de poluir, será impossível seguir. 

Se não pararmos de destruir, será impossível seguir. 

Se nao pararmos de consumir como se consome, será impossível seguir. 

 

Precisamos reavaliar, enquanto coletivo, nossas posições sobre o todo. 

Relembrar que essa lavagem cerebral não nasceu conosco. 

Ela foi construída por toda nossa vida. 

Em imagens de, em maioria, mulheres objetificadas perfeitas.

Perfeitas?

Projetadas como o perfeito absolutamente impossível para a maioria. 

 

Nessa loucura, adoecemos. 

 

COSTURAR É UM ATO POLITICO.

 

Em todas as etapas de produção de uma peça de roupa industrial, somos afetados. 

- Agrotóxicos fortíssimos para produção exagerada de algodão.

- Escravidão em todas as linhas de produção (produção do tecido, modelagem, corte, costura).

- Criação de conteúdo de marketing, onde, normalmente, apelam para a ideia de uma mulher branca, magra, alta, rica, que pode estar vestida ou não - dependerá da intenção de venda do produto.

- Desmembramento do produto para digitais influencers. Cada influenciador, tem seu mini grupo de influenciáveis - determinando assim o que aquele pequeno nicho ira desejar imediatamente (e arrastar para cima).

- Após poucos meses, o desejo já é outro e essa peça vira lixo. Esse lixo se une com retalhos e resíduos industriais. Um lixo absurdo anual de bilhões de toneladas e tecido e plástico, jogados em ilhas no oceano e em países como Bangladesh. 

 

O tempo todo, estão criando para o nosso desejo de consumo. E estamos tão ocupados, ganhando dinheiro para comprar, que sobra pouco tempo para percebermos isso. 

 

Ele querem dominar você.

Só você pode não se deixar dominar. 

 

2019 

novembro . PALÁCIO DAS ARTES - a mulher e seu papel no mundo da arte

abril . REVESTE - como escolher roupa com responsabilidade social e ambiental

abril . HOTEL RONALDO FRAGA - moda slow + moda com propósito

março . MUMO BH - bate papo reestructura . ressignificações do cotidiano

 

2018

março . SALA DE VESTIR - produção de moda e empoderamento feminino

 

Fotografia: Luiza Zuim, Pablo Caldeira

PALACIO DAS ARTES isabela solo
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HOTEL RONALDO FRAGA
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